domingo, 12 de junho de 2011

A Carta de Baron, o Bardo

 As palavras abaixo foram escritas por Baron, o Bardo. A mensagem foi encontrada por um pescador ao norte de Olden.


 "Estou perdido e não há nada que eu possa fazer a não ser rezar. Não adianta gritar, não há ninguém perto para ouvir. Estou perdido de todos neste fim de mundo.
 Eu devia ter escutado melhor. Me avisaram que isto aconteceria se eu escolhesse errado. Fui alertado tantas vezes e agora estou sozinho, infeliz e desesperado. 
 O mar estava calmo, bom para navegar. Mas eu peguei o caminho diferente... a ira divina caiu sobre nós e uma tempestade permaneceu pelo que pareceram sete dias, nos tirando da rota, nos levando para a morte. Nada restou a se não destroços. Um pedaço do casco me serve como jangada e acho que é um pedaço da proa pelo tom azulado, uso como remo. Achei alguns objetos na água, três pães e uma garrafa de vinho, garrafa esta na qual jogo esta mensagem na esperança que alguém ache, em algum momento. Por sorte sempre carrego meu velho caderno no bolso da jaqueta. As folhas não secaram totalmente e estão sensíveis. Não sei até quando poderei contar de minhas desventuras.

 A tempestade passou há dois dias, mas há um denso nevoeiro. Estou simplesmente remando, sem saber pra onde. Perdi minha bússola. Não há sol, não há lua ou estrelas. Apenas um infinito crepúsculo cinza que não me deixa ver mais que alguns dedos a minha frente. Sempre tenho a sensação que há alguma fera irá aparecer; às vezes sinto uma respiração se aproximando. Vou enlouquecer, a menos que eu morra antes. Só ouço o barulho da água e minha mente em agonia.
 Estarei perto de terra? Algum dia este nevoeiro amaldiçoado irá passar?
 Não sei que dia é hoje. Acho que já passou do meu aniversário. Quanto mais eu tento me lembrar, mais as coisas parecem faltar. Parece já faz anos que estive em casa... qual é o cheiro do café mesmo? Como são as cores, agora que meu mundo ficou cinza? Ironicamente, me sinto com sorte de poder escrever estas palavras antes que eu as esqueça também.
 Quero perder a capacidade de sonhar. As projeções de minha mente inconsciente me trazem formas que dão medo. Não vejo luzes, apenas formas na névoa. Estou sonhando agora?
 À exceção desta carta, só o que tenho a fazer é pensar. Penso em tudo o que fiz em minha vida. Será que fui suficientemente bom para receber uma boa recompensa no que parece minha iminente passagem? Será que já fui e ainda não sei?
 Tantas pessoas que amava estavam naquele barco. Será que estão vivos? A última coisa que ouvi foi o grito dela, pedindo ajuda. Há muito tempo eu prometi que não deixaria nada de mal lhe acontecer e falhei. Devo realmente ser merecedor deste castigo. Espero que estejam bem.

 Não sei quanto tempo já passou desde que me perdi. Estou cansado e com frio. O pão já está acabando. A névoa me impede de pescar. Até quando conseguirei viver? Que criaturas horrendas habitam o fundo destas águas? Estarei indo para longe? Perto de um continente? Estarei perto dela?
 Sei que estas palavras não formam uma bela poesia, mas são minhas palavras. Possivelmente é tudo o que resta de mim agora e eu gostaria de dizer a quem encontrar estas palavras que aprendam algo com elas, se possível. Tirem alguma mensagem positiva, não façam o que eu fiz e talvez não se perderão e não se angustiarão como eu. Estou pagando com este nevoeiro por minhas péssimas escolhas. Esta será minha angústia.
 A você que encontra esta mensagem... não culpe aos Deuses por suas escolhas, pois lhe foi dado o livre arbítrio. Use-o de forma sábia. Eu continuarei neste infinito, procurando... e não desistirei até encontrar".

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